KFC transforma Craque Neto em Coroneto Sanders e faz da reclamação futebolística uma estratégia de marca.
Com o "Coroneto Sanders", a rede reforça uma fase mais local, digital e provocativa no Brasil.
Torcedor como ponto de partida.
O KFC Brasil escalou Craque Neto para uma campanha que leva a marca ao território do futebol a partir de um comportamento muito brasileiro: a reclamação. O ex-jogador e apresentador aparece como Coroneto Sanders, uma versão nacional do Coronel Sanders criada para brincar com a cultura de cornetar escalação, juiz, técnico, jogador e resultado.
A campanha, criada pela Lola\TBWA, divulga a oferta de dois Crunch Salad por R$ 19,90 com o conceito de que é melhor reclamar de barriga cheia. A marca não entra no futebol pela via institucional, mas pelo humor cotidiano do torcedor, o que torna a ação mais próxima da conversa real nas redes e nos programas esportivos.
Coronel com sotaque brasileiro.
A escolha de Neto funciona porque a campanha não usa o apresentador apenas como rosto famoso. Ela adapta um dos símbolos globais do KFC, o Coronel Sanders, para uma persona reconhecível dentro da cultura brasileira.
Esse movimento conversa com a origem da marca, fundada a partir da receita de frango de Harland Sanders e da primeira franquia Kentucky Fried Chicken, aberta em 1952. No Brasil, o desafio é fazer esse patrimônio parecer menos distante e mais conectado aos códigos locais.
Ao transformar o Coronel em Coroneto, o KFC preserva seu ícone global, mas coloca nele o jeito exagerado, opinativo e popular do comentário esportivo nacional.
Expansão e marca mais presente.
O momento da campanha também se conecta ao histórico recente do KFC no Brasil. A IMC passou a operar a marca no país em 2019 e, em 2025, assinou uma joint venture com a Kentucky Foods Chile para acelerar a expansão local. Segundo a Reuters, o acordo envolveu a venda de 58,3% da operação brasileira por US$ 35 milhões, manteve a IMC com 41,7% de participação e concedeu à nova estrutura direitos exclusivos de operação da marca no Brasil.
Naquele momento, a rede tinha cerca de 230 restaurantes no país. Ou seja, a comunicação criativa não aparece isolada: ela acompanha uma fase em que o KFC precisa crescer, ganhar lembrança e se diferenciar em um mercado de fast-food altamente competitivo.
Criatividade é a identidade local.
A campanha com Neto se soma a uma sequência de movimentos em que o KFC tenta transformar produto em conversa. A marca já havia usado figuras como Erick Jacquin em ações ligadas ao Crunch Salad e explorado reações reais de consumidores em campanhas como “PQP, KFC!”, reforçando um tom mais provocativo e digital. O Coroneto Sanders segue essa mesma lógica, mas em um território ainda mais amplo: futebol, Copa e opinião pública.
A leitura principal é que o KFC Brasil está tentando construir uma identidade menos importada e mais moldada pelo humor, pelos personagens e pelas conversas que movem o público local. Para uma rede global, esse é o desafio mais importante: manter reconhecimento internacional sem parecer genérica no mercado brasileiro.






