Kotler lança novo livro e coloca a inteligência artificial no centro do marketing.
Principal teórico da área atualiza sua visão e aponta como dados, automação e IA estão redefinindo a forma como marcas pensam, executam e se relacionam com consumidores.
O autor que organiza a disciplina.
Philip Kotler não é apenas um autor conhecido do mercado. Ele é o nome que ajudou a estruturar o marketing como disciplina moderna, consolidando conceitos como segmentação, posicionamento, proposta de valor e os 4Ps em livros que passaram a formar gerações de profissionais e empresas no mundo inteiro.
Ao longo das últimas décadas, sua obra acompanhou as mudanças do setor em diferentes fases, do marketing orientado a produto ao marketing centrado em propósito, tecnologia e experiência. Por isso, quando Kotler lança um novo título, o mercado não lê apenas uma opinião sobre tendência. Lê uma tentativa de atualizar a própria base conceitual da área.
O que Marketing 7.0 tenta reorganizar.
No novo Marketing 7.0: A Guide for Thinking Marketers in the Age of AI, escrito com Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan, Kotler desloca a discussão da obsessão por performance e automação para uma abordagem que o livro chama de mind-centric marketing. A ideia central é que a inteligência artificial já não deve ser tratada como ferramenta periférica, mas como parte da infraestrutura do marketing contemporâneo.
Ao mesmo tempo, o livro argumenta que eficiência algorítmica sozinha não resolve o principal problema das marcas: entender como as pessoas pensam, conectam informações, formam memória e tomam decisões.
O lançamento saiu em 2026 e marca a continuação explícita da sequência que vinha sendo construída desde Marketing 3.0, passando por Marketing 5.0 e Marketing 6.0.
A mudança de ritmo.
Durante muito tempo, marketing significava planejar campanha, definir canal, distribuir mensagem e medir resultado depois. A digitalização acelerou esse processo, mas a IA altera algo mais profundo: o marketing deixa de funcionar em ciclos fechados e passa a operar em fluxo contínuo, com leitura de dados em tempo real, personalização em escala, automação criativa e otimização constante. Isso muda a função do profissional.
Menos execução repetitiva, mais interpretação, estratégia, curadoria e decisão. Kotler e os coautores também chamam atenção para um risco dessa nova fase: quando todo mundo usa os mesmos modelos, as mesmas métricas e as mesmas ferramentas, a tendência é a padronização. E padronização, em marketing, costuma corroer diferenciação.
Ponto mais importante do livro.
A parte mais interessante de Marketing 7.0 não está apenas no uso de IA, mas no limite que o próprio Kotler impõe ao entusiasmo tecnológico. O livro insiste que algoritmos aceleram decisão, automatizam contato e ampliam capacidade analítica, mas não substituem clareza estratégica, construção de marca e entendimento humano.
Em outras palavras, a IA pode ajudar a entregar a mensagem certa, no momento certo, para a pessoa certa. Ela não define, sozinha, que marca merece ser lembrada, desejada ou escolhida. Essa é a virada do novo livro: tecnologia entra no centro da operação, mas o valor continua dependendo de repertório, contexto e significado.
É isso que faz o lançamento ser relevante agora. Ele não trata IA como moda. Trata como mudança estrutural que obriga o marketing a rever sua própria lógica.






